Tudo que faço ou medito 
Fica sempre pela metade, 
Querendo, quero o infinito. 
Fazendo, nada é verdade. 

Que nojo de mim me fica 
Ao olhar para o que faço! 
Minha alma é lúcida e rica, 
E eu sou um mar de sargaço —

Um mar onde bóiam lentos 
Fragmentos de um mar de além... 
Vontades ou pensamentos? 
Não o sei e sei-o bem.

13 - 9 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
« Voltar