Do meio da rua
(Que é, aliás, o infinito)
Um pregão flutua,
Música num grito…
 
Como se no braço
Me tocasse alguém
Viro-me num espaço
Que o espaço não tem.
 
Quando era criança
O mesmo pregão...
Não lembres... Descansa,
Dorme, coração!...
7 - 10 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar