No frio mar do alheio Norte,
          Morto, quedou,
Servo da Sorte infiel que a sorte
          Deu e tirou.

Brilha alto a chama que se apaga.
          A noite o encheu.
Do estranho mar que estranha plaga,
          Nosso, o acolheu?

Floriu, murchou na extrema haste;
          Jóia do ousar,
Que teve por eterno engaste
          O céu e o mar.


[Dezembro de 1924]

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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