Pesa o sono que perdi
Nas pálpebras em torpor.
Hoje ontem não consegui.
Quanto aos poetas do amor,

Sim, são muitos. Outros são
Poetas do amor que faltou.
Façam disso uma excursão,
Mas vão sós, porque eu não vou.

Tenho bastante em ter nada.
Sonhar não custa nem pesa.
Tenho a alma lógica e errada
E sou português à inglesa.

10 - 3 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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