O pavão no parque morto
Sobrevive a quem viveu,
Abre a cauda, bruto e absorto,
Sob o silêncio do céu.

E a sua cauda espalhada
É o indício resignado
De que a vida não é nada
Mas tem um leque mostrado.

7 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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