E o esplendor dos mapas, caminho abstracto para a imaginação concreta,  
Letras e riscos irregulares abrindo para a maravilha. 

O que de sonho jaz nas encadernações vetustas, 
Nas assinaturas complicadas (ou tão simples e esguias) dos velhos livros.  (Tinta remota e desbotada aqui presente para além da morte,  
O que de negado à nossa vida quotidiana vem nas ilustrações,  
O que certas gravuras de anúncios sem querer anunciam. 

Tudo quanto sugere, ou exprime o que não exprime,  
Tudo o que diz o que não diz, 
E a alma sonha, diferente e distraída. 

Ó enigma visível do tempo, o nada vivo em que estamos!)

14 - 1 - 1933

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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