Quando chego — o piano estala agoiro,
E medem-se os convivas logo, inquietos —
Alargam-se as paredes, sobem tectos —
Paira um luxo de Adaga em mo de Moiro.

Meu intento, porm, todo loiro
E a cor de rosa, insinuando afectos.
Mas ningum se me expande... Os meus dilectos
Frenesis ningum brilha! Excesso de Oiro.

Meu Dislate a conventos longos ora.
Pra correr minha Zoina, aqum e alm,
S mstica, de alada, esguia cora...

— Quem me convida mesmo no faz bem:
Intruso ainda — quando, viva fora,
A sua casa me levasse algum.


Paris, 30 de Janeiro de 1916
Mário de Sá-Carneiro
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