Serena voz imperfeita, eleita
Para falar aos deuses mortos —
A janela que falta ao teu palácio deita
Para o Porto todos os portos.

Faísca da ideia de uma voz soando
Lírios nas mãos das princesas sonhadas,
Eu sou a maré de pensar-te, orlando
A Enseada todas as enseadas.

Brumas marinhas esquinas de sonho...
Janelas dando para Tédio os charcos...
E eu vejo o meu Fim que me olha, tristonho,
Do convés do Barco todos os barcos...

6 - 10 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
« Voltar