A estátua de Vénus, na ideia humana,
Se usasse uma jóia perdia a verdade;
Mas não só beleza é simplicidade.
Assim o pensar a visão engana.

Será que notaram um barco perfeito
Num lago, ou um veleiro longe no mar
Misterioso, de noite, a passar,
Um estranho anseio deixando no peito?

Ah! Num peito jovem e virginal
Fica bem uma jóia, assim adornado,
Dando um ao outro beleza e brilho, tal

As estrelas pousam no mar, a tremer,
Ou na flor o orvalho — arrebatado,
Não sei esse encanto em palavras dizer.


1907

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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