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Desperto sempre antes que raie o dia E escrevo com o sono que perdi. Depois, neste torpor em que a alma é fria, Aguardo a aurora, que já tantas vi. Fito-a sem atenção, cinzento verde Que se azula de galos a cantar. Que mau é não dormir? A gente perde O que a morte nos dá p’ra começar. Oh Primavera pintada, aurora, Ensina ao meu torpor, em que a alma é fria, O que é que na alma lívida a colora Com o que vai acontecer ao dia.
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1931
In Poesia 1931-1935 e não datada
, Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
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