E o Salazar, artefacto
De um deus de régua e caneta,
Um materialão abstracto
Que crê que a ordem é alma
E que uma estrada a completa.

Não há poesia nele

Ai, nosso Sidónio Pais,
Tu é que eras português!

Um materialão abstracto,

Vive na orgia do exacto

Manda o país penhorado
Por uma estrada melhor.


□ espaço deixado em branco pelo autor


[1935]

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
« Voltar