1

Pequena flor que estavas no outeiro,
      Onde estarás agora?
Tu, que te miravas no ribeiro
      Será que foste embora?
Ah, vejo agora que, morta, nos deixaste
E que teu encanto de nós já levaste.

3

Contudo, flor, não estou a lamentar-te,
      Nada morre realmente;
Ora és parte de mim e de Deus parte,
      E estás no céu certamente.
Só meu sentido de ti me abandonou —
Alegria sensual que me encantou.

[4]

Dois mundos há — da alma e dos sentidos,
      Mas eles são um somente;
O ser-espaço que se esvai, mesmo já ido
      Ficará vivo e presente.
Em meus sentidos, plena, viverás
Agora que dentro da alma estás.


1904

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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