O cu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O nocturno silncio repousado...

O pescador Anio, que, deitado
Onde co vento a gua se meneia,
Chorando, o nome amado em vo nomeia,
Que no pode ser mais que nomeado:

- Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que to cedo
Me fizestes morte estar sujeita.

Ningum lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.
 

Luís Vaz de Camões
[O CÉU A TERRA O VENTO SOSSEGADO...]
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