I

Com que então murmuram sobre nós —
Falam de ti e falam de mim?
Mas então murmuram sobre nós?
Demos-lhes razão p’ra que seja assim!

II

A todos aqueles que dizem
Que morreram a honra e o bem,
Muitas coisas podiam ser ditas;
Uma delas, que eles mentem.

III

Se o valor de um guinéu está só em sê-lo,
Então sobre isto se pode dizer:
O valor de um guinéu cunhado em chumbo
Só entre os homens se pode ver.

Iv

Tu, que tantas vezes queres ser
Grosseiro e mal-educado, vens dizer
Que nem de matar mosca sou capaz...
Ora bolas, Zé: Zás!

v

Qual é a coisa de fama sem igual
No mundo? Só isto: uma bula papal.


VI

Pio, em sua bula, com rancor piedoso
Faz com que padres e gente enviesada
Nos espiem. Embora Pio seja piedoso,
Sua bula (se aquilo é bula), uma calinada.

VII

Pio Décimo, tua bula ou carta —
O que quer que seja, li com atenção,
Embora ela seja bastante chata;
E p’ra ser sincero e não enganar
O que digo resume a impressão
Que, depois de lida, a bula me dá:
Será que acreditas no que ali está?

VIII

Ele pediu-me, meio encolhido,
Que lhe esboçasse o retrato numa penada;
Está pronto: casaco do último grito
E gravata encarnada.

IX

Dizem que a Roma vai dar toda a via
E, mais ainda, que isto é correcto;
Mas, claro está, que a maioria
Irá lá dar por caminho incerto.


In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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