Seja o mar um lago
E a terra mal perto,
Com um vento vago
Sob o céu aberto.

      Mas nunca cheguemos
      A essa terra; longe
      Mas sempre fiquemos,
      Marinheiro-monge!
 
De que serve a vida
Se ela nos não for
Sempre indefinida
Como o gozo e a dor?
      

      Rema pois p’ra longe
      Quero a solidão
      Marinheiro-monge
      Dói-me o coração.


In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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