A palavra Revolução.

Encontrei-a anónima nos olhos os pobres,
nas barricadas dos livros,
no ódio à palavra guilhotina
— sim, havemos de arrombar as portas que só nós vemos
                                                                   nos muros.

A palavra Revolução.

Encontrei-a no salto fértil da morte para o sonho,
na manhã arrancada com mãos de sangue da noite,
na sensação de que tudo nos sai dos dedos
— até a dinamite do luar.

Encontrei-a
na esperança dos homens
a construírem novos segredos
com lágrimas e areia
— para a palavra Deus decifrar.
 

 


In Memória
José Gomes Ferreira
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