A estrada, como uma senhora, 
Só dá passagem legalmente.
Escrevo ao sabor quente da hora 
Bebadamente.

Não  saber bem o que se diz
É um pouco sol e um pouco alma.
Ah, quem me dera ser feliz
Teria isto, mais a calma.

Bom campo, estrada com cadastro,  
Legislação entre erva nata.
Vou atar a lama com um nastro
Só para ver quem ma desata.

31 - 8 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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