«Porque gastas tempo em sonhos?»
Em que melhor o gastar?
Sonhos, enfim, são risonhos,
E fazem-nos não pensar.

O tempo que sonho passa
Pelo teor dos meus dias
Como o sol pela vidraça.
As sombras são sempre frias.


c.10-6-1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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