Ópio das horas inúteis...
Cousas fúteis constelando
O céu do nosso pensando...

Uma mosca zumbe e lembra
Que o mundo exterior existe
Ó o sonho que se desmembra
E (ó a tristeza, ó a □)
Não me deixa mais triste!...

Um raio último de sol
Entra pelo quarto... Ó tédio!
Quem me trará o remédio
Para o ver que tudo não vale...


[1909?]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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