Soam doze horas. E o fim...
E é o princípio de outro dia!.
Ó coração, aprende assim
Que a vida, que me sinto em mim,
Quando acabar é que principia..

Não há morte. E o som breve e lento
Do relógio a dar horas que há
Tem só a corda, sem alento.
Não conta com o pensamento
Nem com as horas que haverá.

6 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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