O vento sopra lá fora.
Faz-me mais sozinho, e agora
Porque não choro, ele chora.

É um som abatracto e fundo.
Vem do fim vago do mundo.
Seu sentido é-me profundo

Diz-me que nada há em tudo.
Que a vontade não é escudo
E que o melhor é ser mudo.

27 - 12 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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