A Arca de Noé da minha Imperfeição
Acordou o Dilúvio em memórias febris
Sobre a constância em ilusão
Dos meus amparos já senis.
Flores, flores-de-lis
Na minha dispersão.

Senescem plúmbeos aguaceiros
Nas reencidências.
Tuas memórias são moleiros
Moendo o trigo das Ciências
Cavadas em rios outeiros
Meus vagos amores primeiros...

Secas as horas,
Todas vorazes...
Tu, noite, choras
E iníqua trazes
Tuas demoras…

2 - 10 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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