Na imensa solidão
De eu ser apenas eu,
Sentindo o coração
Como somente meu,

O vento me acompanha
Com seu ruído na noite
E eis-me só na montanha
Sob o divino açoite.

Não há contudo nada
Em meu torno senão
Solidão calada
E um som de coração.

3 - 7 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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