No tempo que de Amor viver soa,
Nem sempre andava ao remo ferrolhado;
Antes agora livre, agora atado,
Em vrias flamas variamente ardia.

Que ardesse num s fogo, no queria
O Cu, porque tivesse exprimentado
Que nem mudar as causas ao cuidado
Mudana na ventura me faria.

E se algum pouco tempo andava isento,
Foi como quem co peso descansou,
Por tornar a cansar com mais alento.

Louvado seja Amor em meu tormento,
Pois para passatempo seu tomou
Este meu to cansado sofrimento!
 

Luís Vaz de Camões
[NO TEMPO QUE DE AMOR VIVER SOÍA]
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