A luz! O ruído! 
O sangue, d’oiro ferido! 
Dentro de mim, como um irmão, 
há uma sensação de nenhuma sensação. 

A mãe, morta, canta 
lívida na minha garganta. 
Cantai-me, se eu acordar, 
também canções de embalar. 

Dorme, corpo, dentro 
do coração e do tempo, 
desfigurado e sangrento 
como um nascimento. 


In POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2001
Manuel António Pina
« Voltar