Tenho escrito muitos versos,
Muitas cousas a rimar,
Dados em ritmos diversos
Ao mundo e ao seu olvidar.

Nada sou no fim de tudo.
Quanto escrevi ou pensei
É como o falar de um mundo -
«Amanhã eu te direi»

E isto só por gesto e esgar,
Feito de nadas e dedos
Como uma brisa ao passa
Por onde havia arvoredos.

12 - 4 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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