So verde-Deus as rvores e as ervas,
     As flores desabrocham Deus.
E as pedras so humildes Deus-servas
     Dos prprios sere s seus,
A gua, Deus bondoso acorrentado
sua vontade de ser quasi-alado,
Nos seus amor-reflexos reflectindo
O cu-Deus azulando Infindo.

Tem duas faces a mudez das cousas:
Deus uma face, e a outra face Deus.
 
Deus o abstracto e o concreto
O ser-objecto do objecto
E Deus imensuravelmente.
Cada cousa uma semente
Do infinito de ‘splendor.
 
Tudo transborda Deus
E se incontm
As cousas so a queda irreal dos vus
Do que so e tm.


In Poesia 1931-1935 e no datada , Assrio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
[SÃO VERSOS-DEUS AS ÁRVORES E AS ERVAS]
Voltar