Sem dvida que foi o nico idlio
Esse que seu obscuro curso teve
Naquele nosso exlio
Em que nenhum de ns esteve.

Nem faltou no haver tu nem eu
Nem at esse idlio, enfim...
Era amplo e claro o alheio cu,
E tu sem ti, e eu sem mim.

E assim, irmos no que no pode haver,
Gmeos em nada, mo em mo, sorrindo,
Olhvamos o rio a ser no ser
Crianas do advindo...

Depois passou ou um sculo ou o mundo...
E, hoje, encontrando-nos nas ruas que h,
No nos lembramos desse exlio ao fundo
Do qual nossa alma est.

Nem sei se passo por quem s na rua
Nem se passo por mim que em mim sou preso...
den no Exlio! Eu fiz a espada nua
Erguer-se e o fiz defeso.

19 - 11 - 1933

In Poesia 1931-1935 e no datada , Assrio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
[SEM DÚVIDA QUE FOI O ÚNICO IDÍLIO]
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