Uma rvore Deus todo.
Tudo o mesmo modo
De Deus ser diferente...
Todo o espao um ente,
Todo o intervalo aquilo
P’ra quem intervalo
O que o ladeia a abri-lo...

Olho, movo-me, falo...
E tudo gente e seres
Minha voz, meu olhar,
Meus gestos, os dizeres
Do que h em eu falar...
 
Tudo transcende tudo
E mais real e menos do que ;
Meu pensamento mudo
E morta a minha f...
No h razo ou crena,
Sentimento ou 
Da alma a quem Deus pertena
Ou onde seja visto...


 espao deixado em branco pelo autor

2 - 10 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assrio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
[UMA ÁRVORE É DEUS TODO.]
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