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Todo o passado me parece incrível. Quem é a mim quem foi o que eu já fui? Rio inconstante, sob meus olhos flui Minha vida real e impossível.
Através de uma névoa eis-me insensível Ao que vivi; e que já não se inibe No que creio que sou, e sinto; e obtive Ver-me ver quem fui eu e hoje é invisível.
Cismo no que já fiz e me parece Que incluo quem o fez mas não o sou. Através da minha alma transparece
O que por mim viveu e se formou... E um assombro decerto estremece Em morto ser quem não ressuscitou.
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1919
In Poesia 1918-1930
, Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
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