Ronda o vento, ronda o vento,
O vento ronda o meu ser,
E faz do meu pensamento
Um arvoredo a mexer.

É a voz do caos que vem
Às almas novas lembrar
O abismo que as coisas tem
Sob o céu, a terra e o mar.

Abstracta, alta, veloz,
Gela-me as sombras que trilho,
Porque esta voz é a voz
Do nada a chamar-me filho.

 

12 - 8 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
[RONDA O VENTO RONDA O VENTO]
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