O reino longínquo dos ÍDOLOS mortos
Tem cousas e seres com negra expressão.
Nenhum viajante desceu aos seus portos.
Ninguém o deixou □
 
Todas as cousas ali são conscientes.
As arestas olham com um olhar seu.
As pedras e as plantas e as águas são entes
Em quem como em nós Deus bem não morreu.

Se às vezes, nas horas mais frias da vida
Eu ergo a minha alma até onde há céu.
Renasce a memória, que eu tinha esquecida,
Do Reino sinistro que o Tempo esqueceu.


□ espaço deixado em branco pelo autor

28 - 2 - 1917

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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