Ó Safo negra, sub-rameira, ronha
Do vício em q’rer achar-se subtileza,
Não é das portuguesas a vergonha,
Você, por não ser uma portuguesa.
 
Vive p’ra o seu país, onde a alma sonha
De boca aberta com [...] tez
E a confusão de tudo é tão medonha
Que o copular é um prazer de mês

Vá não tenha medo que eu lhe fuja
Nem a você nem  
E se, por não poder ficar mais suja,
Por perversão mais limpa se fugir
Tenha a certeza, que se não morri,
Vossemecê ainda me agarra aqui.

 

 espaço deixado em branco pelo autor

17 - 8 - 1910

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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