As tuas mãos terminam em segredo.
Os teus olhos são negros e macios
Cristo na cruz os teus ócios esguios
E o teu perfil princesas no degredo...
 
Entre buxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vendo põe o seu arrastado medo
Saudoso a longes velas de navios.
 
Mas quando o mar subir na praia e for 
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,
 
Será o haver cais num mar distante...
Pobre do rei pai das princesas feias 
No seu castelo à rosa do Levante!

24 - 6 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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