Um dia em delírio entorpecido,
Onde vi estranhas coisas a passar,
Vi num sonho, sem luz alguma a brilhar,
Um homem com um só lábio -
Exactamente, exactamente,
Exactamente um só lábio.

Lembro bem que ele não tinha rosto
Nem nariz, com a ponta para vê—lo,
Nem olhos, nem faces, nem cabelo
Mas apenas só um lábio —
Um somente, um somente
Apenas um, um só lábio.

Podeis pensar nisto sem terror?
E nenhum outro lábio ressaltava
À visão, nem tampouco lhe faltava:
Havia somente um lábio.
Vendo-o como eu, ficaríeis loucos
O homem com um só lábio.


1908

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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