Assim que te despes
as próprias cortinas
ficam boquiabertas
sobre a luz do dia

Os teus olhos pedem
mas a boca exige
que te inunde as pernas
toda a luz do dia

Até o teu sexo
que negro cintila
mais e mais desperta para a luz do dia

E a noite percebe
ao ver-te despida
o grande mistério
que há na luz do dia

 


In O corpo iluminado
David Mourão-Ferreira
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