Bendito galo que cantas
Da noite que vai ser dia!
Parece que me levantas
Do ser meu em que eu jazia.

Teu grito estrídulo e puro
É a manhã antes dela.
Graças a Deus há futuro!
Brilha mal a última estrela.

Renovas, graças a Deus,
Teu som prolongado e claro.
Clareia a orla dos céus.
Porque penso? porque paro?

19 - 6 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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