Na minha Alma h um balouo
Que est sempre a balouar —
Balouo beira dum poo,
Bem difcil de montar...

— E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar...

Se a corda se parte um dia
(E j vai estando esgarada),
Era uma vez a folia:
Morre a criana afogada...

— C por mim no mudo a corda,
Seria grande estopada...

Se o indez morre, deix-lo...
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca... Deix-lo
Balouar-se enquanto vive...

— Mudar a corda era fcil...
Tal ideia nunca tive...


Paris, outubro de 1915
Mário de Sá-Carneiro
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