Chamem por mim 
(se no chamarem também vou), chamem por mim 
os leitos secos de rios, 
que este rio que sou 
irá correr por eles...

Ai florinhas da margem, quase murchas! 
Ai rebanhos que morrem pelas margens! 
— Eu correrei, mansinho como a Tarde... 
Heis-de parir ainda, ovelhas brancas! 
Heis-de ainda dar mel, florinhas tristes!

Menina feia, com pena 
de se chegar à janela 
(pena de si, que já sabe 
que nAo vo olhar pra ela) 
anda, vem-te mirar no rio que passa!
Um instante que seja, terás graça; serás feliz 
se depois a saudade te lembrar
que ao menos por um dia foste bela.


In SERRA-MÃE , Ática, 1991
Sebastião da Gama
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