Coimbra, 11 de Setembro de 1967


Encosto o ouvido à concha do silêncio.
Oiço um rumor de angústia na lembrança.
É o mar humano do desassossego
A ressoar…
Vinda de muito longe,
Peregrina do tempo,
A baça ondulação do sofrimento,
Baça também na imensa solidão…
Voz abafada, que não renuncia
A ter eco e razão
No surdo litoral da tirania.

 


In Diário X
Miguel Torga
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