Nos braos de um Silvano adormecendo
se estava aquela Ninfa que eu adoro,
pagando com a boca o doce foro,
com que os meus olhos foi escurecendo.

bela Vnus! porque ests sofrendo
que a maior fermosura do teu coro
em um poder to vil perca o decoro
que o mrito maior lhe est devendo?

Eu levarei daqui por pressuposto
desta nova estranheza, que fizeste,
que em ti no pode haver cousa segura.

Que, pois o claro lume, o belo rosto
quele monstro to disforme deste,
no creio que haja Amor, seno Ventura.

Luís Vaz de Camões
[NOS BRAÇOS DE UM SILVANO ADORMECENDO]
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