Minha alma sabe-me a antiga
Mas soa em meu coração
Como um eco, una cantiga.

Bem sei que isto não é nada
Mas quem dera a alma que seja
O que isto é, como uma estrada.

Talvez eu fosse feliz
Se houvesse em mim o perdão
Do que isto quasi que diz

Porque o esforço é vil e vão.
A verdade, quem a quis?
Escuta só, meu coração.

9 - 11 - 1929

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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