Lua do desconhecimento,
Revela o que nunca será...
Planície só planície e vento,
Lago só lago, quem dirá

Quanto pensamos sem sabermos,
Quanto sabemos sem ser nós?
Luar de nos desconhecermos,
Que enigma, que intuito sem voz

Estagna entre altíssimos rochedos,
Lacustre?, e antes de haver ser,
Passava como futuros medos
Sobre não poder-se conhecer?

Desespero do luar eterno,
Maligna ‘stirpe da □ fria,
Que surge com rituais de inferno
A esfinge ao fim da fantasia.


[11-2-1924]

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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