O Íbis, ave do Egipto,
Pousa sempre sobre um pé
      (O que é
      Esquisito).
É uma ave sossegada
Porque assim não anda nada.

Uma cegonha parece
Porque é uma cegonha.
      Sonha
      E esquece —
Propriedade notável
De toda ave aviável.

Quando vejo esta Lisboa,
Digo sempre, Ah quem me dera
      (E essa era
      Boa)
Ser um íbis esquisito,
Ou p’lo menos ‘star no Egipto.


In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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