Irrealmente, pela noite incerta,
Sombras de bruma, os meus sonhos vão
Palpando a impalpável solidão
Do ser que os não cinge e em medos os aperta.

Por mais que o coração lhes clame alerta
 mais lhes pesa a escuridão
E a febre brama, grita e em extensão
Em torno a eles com seu medo acerta.

 espaço deixado em branco pelo autor.

 

7 - 9 - 1912

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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