Lá chegam todos, lá chegam todos... 
Qualquer dia, salvo venda, chego eu também... 
Se nascem, afinal, todos para isso... 

Não tenho remédio senão morrer antes, 
Não tenho remédio senão escalar o Grande Muro...
Se fico cá, prendem-me para ser social... 

Lá chegam todos, porque nasceram para Isso, 
E só se chega ao Isso para que se nasceu... 

Lá chegam todos...
Marinetti, académico... 

As Musas vingaram-se com focos eléctricos, meu velho, 
Puseram-te por fim na ribalta da cave velha, 
E a tua dinâmica, sempre um bocado italiana, f-f-f-f-f-f-f-f .........


[7-4-1929]

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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