As meninas que há na feira
Nas barracas a espreitar
São, de uma outra maneira,
A minha alma a desejar.

Elas vão, a reparar,
Sempre no rasto da estira
Do povo, e se há um tardar
Tomam logo a dianteira.

Vão às barracas da feira
E riem por espreitar.
Ah, quebram-me a alma inteira
Porque a não posso pensar.

8 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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