Por que deixas prostituir o teu ser,
Mesmo que por fora, aos usos mundanos,
Sabendo que os bens do Mal são o mesmo haver
E que, muito ou pouco, nos humilhamos.

Inda que a mente do mundo não vá bater
Mais fundo que sobre a pele da razão,
A consciência dele, em nosso ser,
Faz-nos impuros, já que temos visão.

Nem ele põe à prova a nossa resistência
Na presença activa da circunstância;
O Mal é mais subtil que a inteligência
E, pelas fendas do ócio, logo avança.

É um louco esforço contra tudo lutar,
Salvo se aos mistérios é votado o pensar.

1910

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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