Labutando contra o tempo e contra a sorte
Gastando contra o Erro mais que a vida,
Buscando o todo, a verdade perseguida
Alheios à fé, à miséria e até à morte —

Haverá coisa mais nobre no viver
Que lutar p’ra fazer luz da escuridão
E ao partir deixar, sangrando a mão,
Aos mais fracos um caminho a percorrer?

O vago mundo outro, atravessado,
A Natureza estudada com saber
P’ra que possa um gesto sábio e avisado

Fazer melhor, mais clara a realidade.
Oh, com que alegria e amor posso entender
Almas que anseiam por luz e por verdade.

 


1907

In Poesia , Assírio & Alvim , edição e tradução de Luisa Freire, 1999
Alexander Search
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