Há almas cuja vida é um templo.
A noite é funda, o corpo é frio.
O vácuo imenso que contemplo
É o do meu coração vazio.

No assombro sem luar quem passa?
Nada. Como um claustro cabe
Há almas cuja vida é um templo.
Luzes de amor que, quando extintas,
Inda no olhar perdura o exemplo


In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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